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Reaprendendo a caminhar… abril 8, 2010

Filed under: Cotidiano,Fotos e Afins — Manu Parise @ 11:35 am
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Minha mãe quando tinha a minha idade!

 

Esse post demorou dias para ser escrito…

Faltava palavra, faltava atitude, faltava uma série de coisas que precisava para recomeçar, para retomar esse blog que para ser honesta, já nem sei mais se tem sentido, ou se tem mais do que antes.

Me perdoem os que criticam a insegurança, mas inevitavelmente me sinto assim, na verdade é muito dificil reaprender a caminhar depois de 24 anos, muito dificil viver sem saber se haverá alguém para nos dar aquela crítica construtiva ou nos dar aquele abraço apaziguador.

O pior é saber que não posso pedir ajuda áquela pessoa mais sábia e mais experiente que eu, ter que resolver tudo, buscar todas pendencias, fazer as enormes arrumações sem alguém que me aconselhe como fica melhor no dia-a-dia.

É engraçado, achei que seria diferente passar por isso, não chego a me sentir infeliz, mas existe um vazio tão grande, olho no celular e simplesmente não recebo mais as 25 mil ligações por dia só para dizer: “Oi filha! Como você está?”, antes assistia à novela das 8, não porque me interessasse, mas era mais uma coisas para fazer junto com ela, agora faço questão de mudar de canal quando acaba o jornal nacional.

Ir no supermercado então, acho que é a tarefa mais dificil, ninguém para dizer: “Manuela, não compra isso que não é saudável, larga o doce, pega os pães mais moreninhos, nada daqueles branquelos que você gosta! Filha, pega um pacote de biscoito de polvilho”. Eu estive duas vezes nos ultimos dias no mercado e as duas vezes mal consegui conter as lágrimas q insistiam em cair. Como é difícil!

Mas em compensação, encontrei fotos incríveis da familia, algumas amostras das milhares de coisas que ela fez durante a vida para tocar essa familia e levar a vida adiante. Aliás esse é um capítulo à parte: “tudo o que ela fez na vida”

Estive repassando alguns momentos da nossa familia e notei como ela enfrentou dificuldades e em como foi forte para superá-las: Quase morreu no nascimento da minha irmã, teve que fazer artesanato para fora sob luz de abajour para ajudar a comprar os remédios para minha irmã, lidou com a febre reumática que minha irmã teve aos 12 anos e corria risco de vida, ajudou meu pai quando ele foi operado do cérebro, passou os 9 meses da minha gravidez achando que poderia ter um bebe com problemas devido à idade, nem tomava remédio para dor de cabeça com medo que algo me acontecesse, cuidou da minha avó a vida toda, aliás ela era a mãe da minha avó também….

Tantas coisas que fez para nos sustentar: artesanatos em madeira, peças lindas feitas com pirografos e pintas com tinta de automóvel, malhas de lã, cachecóis, bordados diversos, bicos de crochê, vendeu roupas durante anos, vendeu imóveis durante anos, mas sempre foi sem sombra de dúvidas uma mulher com talentos delicados, uma artista.

Vivia desenhando  sempre caprichosa inventando algo para se distrair, costurava coisas lindas, que falta sinto de chegar em casa e vê-la na máquina de costura super moderna que ganhou da minha irmã, toda estusiasmada pois tinha descoberto uma nova maneira de trabalhar com ela.

Agora, como era mimada essa menina, como reclamava de barriga cheia, vivia pedindo um sapato novo, uma bolsa cheia de história, relógios então, milhares, nem um caminhão dá para levar as coisas dela embora… Encontrei jóias desenhadas por ela, exclusivas!  Peças incríveis de um bom gosto impressionante. Só minha mãe mesmo viu!

Mesmo com a revolta que eu sinto – que é grande demais – ainda assim, só consigo pensar nela com bons olhos, só consigo tocar no seu nome com saudade, com uma admiração inexorável, nada do que ela tenha feito, nada do que tenha dito, nada do que tenha vivido me magoa ou envergonha, tudo nela era puro amor por minha irmã e por mim, tudo nela eram boas vibrações.

E tudo em mim é saudade da mãe perfeita, da amiga incansável, da artista indescutivel e da mulher maravilhosa que ela sempre foi, quem teve seu amor – e foram tantas pessoas que ela “adotou” – jamais irá esquecê-la e isso me consola.

Nós que ficamos, lamentamos apenas que ela não tenha tido a oportunidade de fazer para nossos filhos o mesmo que fez para todas as crianças que nasceram na familia, que não tenhamos ficado com praticamente nada dos seus trabalhos tão arduos, ela nunca pensou realmente nela, tudo era por nós e para nós!

E fica o amor e a saudade e a certeza de que ela teve a vida plena, embora tenha passado por dificuldades que nem ouso citar aqui, foi uma mulher extremamente feliz, brincalhona, alegre, nunca desistiu de viver e presentou a nós filhas, com todos ensinamentos mais valiosos e com todo o carinho que era possível alguém sentir por outra pessoa.

Encerro aqui os comentários sobre ela ou sobre sua morte, pois uma nova vida começou e agora preciso pensar em superação. Mas saibam que tudo o que eu sou, sem exceção, é produto do que eu tive de exemplo através dela!

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Admirável notoriedade (Ou anonimato) março 18, 2010

Estive pensando em como é engraçado esse contexto de admiração, às vezes conhecemos uma pessoa há anos e não a admiramos e alguém que conhecemos ontem nos causa tamanha admiração que fica dificil não expressar…

É claro que é relativo, pois cada indíviduo tem seus aspectos próprios que mais nos atraem ou afastam, cada um gosta de coisas diferentes é claro! Mas já me peguei, algumas vezes, admirando em alguém aspectos que antes me incomodavam e é impressionante como as atitudes das pessoas nos fazem ver as coisas sob uma nova perspectiva.

Aprendi a apreciar indivíduos com características bem fortes e marcantes, pessoas que falam o que pensam sem medo de serem julgadas, pessoas que fazem o que tem vontade independente dos obstáculos, como é bom conversar com pessoas eloquentes, como é bom ler textos bem escritos nos blogs dos amigos, como é maravilhoso conviver com pessoas espontâneas que fazem piadas das adversidades e não se deixam abater. Que se esforçam para atingir seus objetivos, mesmo que não sejam tão louváveis assim…

Às vezes detalhes ínfimos já são por sí só o tempero dessa admiração que tende a crescer a cada pequeno gesto, a cada pequeno olhar, uma frase bem colocada, um sorriso silencioso, um afago despreocupado… Mensagens inesperadas de bom dia!

Não sei se sou neurótica – é bem provável! –  mas às vezes fico triste quando o celular não toca, quando não tem mensagem, quando o msn está sem nenhuma janelinha aberta, acho que nesses momentos me sinto realmente solitária. É tão bom receber, quando menos esperamos, aquele sinalzinho de mensagem no celular, não importa se é um “bom dia”, um “oi tudo bem?”, o que importa é a lembrança, o fato de naquele momento, passarmos despreocupadamente pela cabeça de alguém que realmente e singelamente se importa.

Mais gostoso ainda é quando esse remetente da mensagem é alguém a quem consideramos – por preconceito admito – improvável de fazê-lo. Tão bom ser surpreendido com ações provenientes de pessoas que não podíamos imaginar.

O engraçado é que justamente, são nesses momentos que conhecemos as pessoas, nesses momentos percebemos a essência de cada ser humano, através dos pequenos sinais aos quais estão aptos a transmitir. E esses sinais são tão importantes.

Os sinais são fundamentais para as relações humanas, nos mostram o momento certo de avançar e o momento ideal para “pisar no freio”. Nos mostra o quanto subestimamos outros indivíduos, nos mostra o quão fracos podemos ser diante da dor ou felicidade alheia.

Sim! Felicidade! Por que ficamos constrangidos diante da felicidade alheia? Por que ficamos constrangidos diante de um casal de namorados se beijando? Por que ficamos constrangidos de sair por ai sem uma companhia, quando na verdade o que queremos é estar sozinhos naquele momento?

O fato é que existem pessoas que incrívelmente despertam nos outros essa admiração, parece que exalam essas qualidades e se tornam pessoas naturalmente interessantes. Conheço pessoas assim! Mais de uma até! É incrível! Conheço pessoas que aonde vão chamam atenção. Os outros olham com encantamento sem nem ao menos conhecer, não que sejam perfeitos, ou façam o tipo impecável, pelo contrário são pessoas normais, com defeitos e qualidades, com características próprias e em particular algumas que até causariam estranheza nos com mente menos aberta.

Mas contrariando as expectativas, o primeiro olhar é sempre de admiração e curiosidade, mesmo que em seguida o comportamento ou a educação não sejam agradáveis como imaginavam. Que inveja! Rs rs…

Eu, particularmente, nunca causei esse tipo de olhar, sempre fui do tipo que atrai primeiros olhares negativos, sempre causei nas pessoas impressões bem diferentes do que sou, sempre ganhei antipatia e as pessoas sempre me taxaram como metida, como aquela garota fresca e chata.

Os amigos que fiz ao longo da vida, sempre precisaram quebrar este tabu inicial e olhar mais atentamente para uma amiga diferente, dedicada e engraçada. Mas em compensação esses amigos são para sempre, mesmo que tenhamos que lidar com a distancia ou outros impecílios.

Existem pessoas, como eu costumo observar, que nasceram para serem amadas por todos, respeitadas, idolatradas, existem pessoas que nasceram para o mundo… Que nasceram para brilhar… E existem pessoas, como eu, que nasceram para poucos e bons, para o anonimato, pessoas que ao longo da vida, são odiadas sem porquês,  e igualmente amadas, pessoas que nunca estão com o saldo positivo, a balança nunca está equilibrada, sempre pesa para um lado ou outro.

Não acredito que isso seja uma questão de gênio ou de características, acho que é mais uma questão de posicionamento! Pessoas como eu, nunca estão em cima do muro e nunca passam a mão na cabeça dos outros, pessoas como eu, são leais e letais! Pessoas como eu, nunca entram na vida de alguém sem trazer um pouco de tempero – geralmente carregado na pimenta – são pessoas provocativas, polêmicas e intrigantes. Estamos sempre à margem das regras. Tripudiamos com elas! Tripudiamos com nossas medíocridades e sentimentos.

Nunca estamos realmente felizes ou realmente tristes e nunca em hipótese alguma nos deixamos realmente influenciar, embora muitas vezes pareça que estamos nos rendendo a isso ou aquilo. Somos tinhosos e persistentes e não exitamos quando o assunto é o que queremos. Firmes e até duros, mas sem medo de chorar tudo o que for preciso.

Mas também, nunca esperem de nós, os tais que nascemos para o anonimato, palavras falsas ou meios sorrisos, nunca esperem de nós imparcialidade ou hipocrisia, somos feitos de sangue quente, de destinos previsíveis, somos capazes de grandes atitudes insólitas. Mas não nos subestimem jamais, pois somos principalmente agressivos quanto aos nossos desejos e incansáveis em nossos ideias. 

Decidam se conseguem conviver com o que somos! Com o que sou!

 

Procura-se um amigo fevereiro 24, 2010

Filed under: Cotidiano — Manu Parise @ 11:58 pm
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Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinícius de Moraes

(Não resisti a este texto maravilhoso, quem não deseja amigos assim? Quantos de nós encontramos ao longo da vida amigos assim? Pessoas importantes e que nos fazem amplamente felizes…. Eu encontrei! Um beijo mais do que especial aos caros e raros amigos Mary, Pedro, M.Jr., Danilo… Aos que não foram citados não se ofendam!)

 

Particularidades… fevereiro 8, 2010

Filed under: Cotidiano — Manu Parise @ 10:06 pm
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Nossa estou cansada demais, trabalhando ininterruptamente durante semanas… Odeio começo de ano, tudo tão corrido, tantas responsabilidades… O pior é fazer um monte de coisas e ainda sentir que faltou algo, que algo não ficou bem feito como deveria ter ficado!

Tá eu sei que sou meticulosa, mas isso não é realmente um defeito, não é?

Minha cabeça está a mil por hora, pensando em trabalho, em projetos, na vida pessoal… Aliás, na TENTATIVA de vida pessoal… Essa semana tive que ouvir que sou idiota e sem vida social, por me dedicar ao trabalho e não me incomodar de fazer horas extras, em pegar freelas para a madrugada…

Mas fazer o que? Se nos empenhando diariamente precisamos suar a camisa e apertar o cinto nas contas, imagina se não correr? Enfim, faço o que posso por meu futuro e principalmente por minha família…

O que fazer no carnaval?

Sem idéias…

Vou dormir… amanhã posto algo realmente interessante, mas hoje minha cabeça está complicada… rs rs…

Uma musiquinha para todos…

 

Gotinhas de felicidade… fevereiro 2, 2010

Filed under: Cotidiano — Manu Parise @ 1:02 pm
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Chovia lá fora…. e aqui dentro de mim, choviam pequenas gotinhas de felicidade…

Como é bom sentir o gostinho da dúvida às vezes… Sentir aquele friozinho na barriga… aquela sensação de torpor… aquela ansiedade contida…. os ponteiros do relógio que parecem andar para trás…

Estamos tão acostumados com os absurdos da vida que passamos inevitávelmente a esperar pelo pior das pessoas sem surpresas, mas quando somos privilegiados com alguém que nos faz rir, que nos faz sentir tranquilos, que não nos trata como um qualquer, até estranhamos…
Às vezes me pego confusa em relação a alguém que não me trata da forma esperada, e essa confusão é tão boa…
Ontem passei a noite me perguntando uma série de coisas e pensando em outras tantas, quase não dormi, mas é engraçado como fico insegura quando passo por situações inesperadas – não costumo ser insegura… Como saber qual passo dar a seguir? Como saber qual a atitude correta?
Seria aquela que nos manda o coração? Ou seria aquela que nos manda a cabeça? Esperar? Seguir em frente? O que fazer quando se fica na melhor duvida de todas?
Sim! Sou uma sonhadora! Daquelas mais incuráveis que existem! Mas vivo o presente com toda a intensidade que me é permitido ter…
E sem correr risco de ser taxada de boba, até porque tanto faz o que qualquer um pense de mim, amo cada momento de olhares silenciosos, mesmo que breves, de palavras não ditas, cada momento de sorrisos gostosos, rubores, como são bons os pequenos afagos, aquele toque que fica perdido e prolongado em meio a uma conversa…
Como são bons esses momentos… tão simples, tão singelos e tão poderosamente inexplicáveis…
Um beijo… Um abraço… Um até breve… Um sorriso… e o que pensar?

“Posto que é chama, que seja eterno enquanto dure”

Se durar, se repetir, puder ser revivido, que assim seja, e será delicioso, mas se não mais existir, será um breve momento em que cada gotinha de felicidade foi perpetuada… O suficiente para um dia seguinte de sol…

Hoje não estou com cabeça para filosofar demais… ouvindo :

 

Um dia de domingo janeiro 31, 2010

Filed under: Cotidiano — Manu Parise @ 7:56 pm
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Hoje fui ao reduto feminino, nossa fuga, aonde nos sentimos mais belas e um pouquinho fúteis, afinal toda mulher precisa de um momentinho de futilidade na vida, estava eu sentada no cabeleireiro, esperando um encaixe, pois é claro não tinha marcado horário, e estava folheando uma revista veja despretenciosamente, não que eu goste da veja, acho uma revista politicamente tendenciosa, prefiro a época, mas convenhamos que em um salão de cabeleireiros ter uma revista veja já é alguma coisa, tá fui preconceituosa! eu sei! Mas digam que não é verdade…
Enfim estava lendo uma reportagem sobre o crescimento da mulher no mercado de trabalho e do quanto os homens sentiam que nós estavamos deixando ser femininas e vaidosas em detrimento disso, quando sentou uma moça ao meu lado e começou a sapear a minha revista – porque a dos outros é mais gostosa. Achei interessante e não me manifestei, mas ela resolveu comentar, esperava ouvir algo sobre a reportagem mas não é que ela comentou sobre o sapato da empresária que pousava para a foto da reportagem? Não acreditei!
Por sorte chegou a minha vez de ser atendida, então fiquei lá cortando o cabelo, porque era muito necessário e comecei a refletir sobre aquilo, não sou hipócrita, é claro que gosto de roupas, sapatos, maquiagem e é claro que dentro de um salão de beleza eu não deveria esperar outro tipo de conversa, mas com tantas coisas acontecendo no mundo, e com tantas coisas interessantes que a reportagem dizia, a começar pela manchete, entendi perfeitamente porque alguns homens acham que somos “bonequinhas de luxo”.
Sai de lá e fui caminhar na praça aqui perto da minha casa, mas quando cheguei estava muito sol e resolvi aproveitar, sentei em um banco e fiquei ali, ouvindo musica e observando as pessoas que estavam assim como eu, aproveitando o domingo para um momento de paz, um momento de ausencia, nossa como é bom sentar e observar a vida, sem compromissos, sem horários…
Tantas coisas lindas para ver, árvores com mais de 60 anos, um parquinho todo de troncos, a criançada brincando, correndo, rindo, uma mãe andando de bicicleta com o filho, um pai suando em bicas empurrando o filhinho pequeno de bicicleta, talvez o primeiro passei em sua bicicleta sem as rodinhas de trás, o menino ria e o pai estava esgotado e absolutamente feliz e orgulhoso ao ver o progresso do pequeno, um casal de namorados sentado em um banco ao meu lado ela era rockeira com coturno e cinto de tachas e ele era do tipo atleta de tenis, bermuda e regata, e eles estavam feliz e trocando carinhos, havia também uma moça com seu cachorro, um labrador preto que fugia dela e corria para cima de todo mundo, bobo pedindo carinhos.
Nossa como fiquei leve e feliz de estar ali, descansando, relaxando, vendo a felicidade daquelas pessoas com coisas tão simples, pessoas comuns, naturais, me inspirei, encontrei a vontade de compartilhar aquilo tudo, levantei e fui andar…
Cheguei em casa feliz da vida, leve, tranquila… Como é bom aproveitar um dia de domingo…  
Trilha sonora deste domingo…

 

O que desejar? e como desejar? janeiro 29, 2010

Meu desejo? era ser a luva branca
Que essa tua gentil mãozinha aperta,
A camélia que murcha no teu seio,
O anjo que por te ver do céu deserta…

Meu desejo? era ser o sapatinho
Que teu mimoso pé no baile encerra…
A esperança que sonhas no futuro,
As saudades que tens aqui na terra…

Meu desejo? era ser o cortinado
Que não conta os mistérios de teu leito,
Era de teu colar de negra seda
Ser a cruz com que dormes sobre o peito.

Meu desejo? era ser o teu espelho
Que mais bela te vê quando deslaças
Do baile as roupas de escumilha e flores
E mira-te amoroso as nuas graças!

Meu desejo? era ser desse teu leito
De cambraia o lençol, o travesseiro
Com que velas o seio, onde repousas,
Solto o cabelo, o rosto feiticeiro…

Meu desejo? era ser a voz da terra
Que da estrela do céu ouvisse amor!
Ser o amante que sonhas, que desejas
Nas cismas encantadas de langor!

Meu Desejo – Álvares de Azevedo (Lira dos Vinte Anos {Lendo no presente momento})

Desejos, planos, anseios, o quanto fazemos tais aspirações e o quanto precisamos mudá-las durante a vida?

Quando tinha 10 anos, desejava ser maior de idade, quando era maior de idade desejava voltar aos 10 anos, desejei ter um cachorro e não pude, desejei encontrar uma pessoa legal e encontrei várias, desejei tantas coisas e tantas eu consegui e outras tantas eu deixei de desejar antes mesmo de tentar batalhar por elas.

O desejo é efêmero, o desejo é volátil, deixa-nos sedentos, insaciáveis, não pensamos muito em como obter, só pensamos no sublime momento em que podemos dizer que é nosso.

Quando falo de desejo penso mais do que o desejo em possuir objetos, falo no desejo que emana de dentro de nós de uma forma exponencial e que acaba aparecendo em todos os âmbitos de nossa vida.

Anseios são mais modestos, eu considero que estão entre o desejo e o plano, talvez seja um desejo mais concreto, ansiamos por atitudes, ansiamos por experiências que sabemos que um dia serão vividas por nós, ansiamos para hoje algo, mesmo sabendo que só poderemos concretizar daqui alguns anos, os anseios não são efêmeros, são apenas adiáveis, são elásticos, podemos nos dar ao luxo de atrasá-los em detrimento de outras coisas em nossa vida.

Mas planos, são sérios, fundamentados e fomentados por estruturas sólidas e conhecimentos concretos da nossa realidade, os planos exigem que batalhemos diariamente, nos exigem esforços, nos exiges economia, dedicação, superação e principalmente determinação. Planos não são para hoje ou para amanhã, planos são para um prazo determinado e exigem disciplina. No entanto quando deixamos de concluir um plano ou botá-lo em prática, nos sentimos derrotados e dependendo de nosso “estado de espírito”, podemos sucumbir ao desespero.

Então eu me pergunto, O que desejar e como desejar?

Acredito que devemos desejar as pequenas coisas, desejar as pequenas alegrias e sutilezas cotidianas, não desejar o impossível, desejar o que podemos obter mesmo que seja com muito esforço, não esperar o príncipe (ou princesa) encantado (a), mas sim alguém que nos faça feliz, que nos compreenda, alguém com quem possamos dividir planos, planejar junto, deveríamos desejar amigos com quem pudéssemos discutir sabendo que no dia seguinte haveria um sorriso nos esperando, amigos que nos ouvissem e que confiassem a nós seus mais íntimos medos.

Deveríamos desejar uma família imperfeita, porém, unida, e não o estereótipo da típica família americana com papai, mamãe, filhinha, filhinho, cachorro e um utilitário na garagem. Deveríamos desejar uma profissão que nos trouxesse prazer e satisfação pessoal e com isso viria o dinheiro e a tranqüilidade financeira, mas nunca desejar uma profissão pelo salário que ela paga.

Deveríamos amar sem esperar algo em troca, amar por amar, amar a simplicidade, a paz, amar o conforto de uma vida estável cheia de tudo aquilo que prezamos no fundo, com todo o bem-estar que nos é permitido ter dentro da realidade.

Deveríamos desejar morar em uma casa confortável que fosse nossa e que comportasse a família que tanto amamos e não uma mansão onde ninguém se sentisse à vontade.

Acima de tudo deveríamos desejar sorrisos brancos ou amarelados, sorrisos nos olhos, pés descalços na grama, banhos de chuva – sem medo da chapinha, roupas gostosas de vestir, um sábado ensolarado, uma tarde chuvosa para deitar na rede e ler um livro, deveríamos desejar ler incansavelmente tudo o que estivesse ao nosso alcance, deveríamos desejar um planeta saudável, filhos felizes, cachorros brincalhões e amorosos, pais companheiros independente de seu estado civil, casais felizes…

Desejemos então aquilo que nos é precioso e que está ao nosso alcance…